11 de fev. de 2026

Inflação dispara na Argentina e expõe fracasso econômico de Milei

E o Milei, tenta manipular estatísticas
Alta de 2,9% em janeiro supera previsões, pressiona alimentos e tarifas e reabre crise no INDEC após renúncia do chefe do órgão
11 de fevereiro de 2026, 04:36 h

Ato em Buenos Aires contra o governo Milei - 18/12/2025 (Foto: Captura de tela/Vídeo/teleSUR)

247 – A inflação na Argentina voltou a acelerar em janeiro e avançou pelo quinto mês consecutivo, escancarando as dificuldades do governo Javier Milei para estabilizar preços enquanto aprofunda o ajuste fiscal. O índice de preços ao consumidor subiu 2,9% no mês, acima da estimativa mediana de 2,4% apurada com analistas e levemente acima do registro anterior, sinalizando perda de fôlego do processo de desinflação.

Os dados foram divulgados pelo instituto de estatísticas INDEC e reportados pela Bloomberg nesta terça-feira, com a taxa acumulada em 12 meses subindo para 32,4%. O resultado se soma a uma crise política e institucional: a renúncia do chefe do INDEC, Marco Lavagna, após divergências com Milei sobre a mudança da metodologia do indicador, adiada pelo presidente no momento em que seria implementada.

Alta recai sobre alimentos, restaurantes e serviços essenciais

A aceleração de janeiro atingiu em cheio despesas essenciais da população. Segundo os números citados, alimentos, restaurantes, hotéis e serviços públicos lideraram os aumentos do mês, reforçando o impacto direto no orçamento das famílias. Ao concentrar pressão em itens cotidianos e em tarifas reguladas, o avanço do índice amplia o desgaste social e desafia a narrativa do governo de que o choque de austeridade seria acompanhado por alívio sustentado no custo de vida.

O dado também expõe uma contradição do programa de Milei. Embora a inflação tenha desacelerado bastante desde a chegada do presidente ao poder — quando o país convivia com taxas de três dígitos —, a estratégia de cortar subsídios e recompor tarifas tende a produzir novas ondas de alta no curto prazo. A tentativa de manter superávit fiscal, ao mesmo tempo em que busca conter preços, transforma a conta de luz e o gás em combustível político e inflacionário.

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