17 de ago. de 2023

Delgatti diz que Bolsonaro e marqueteiro queriam criar urna fake para colocar em dúvida as eleições e o TSE

Hacker diz que a ideia era um criar um código-fonte "fake" para enganar a população, mostrando que seria possível "apertar um voto e sair outro"

17 de agosto de 2023, 10:13 h Atualizado em 17 de agosto de 2023, 10:24

              
            Walter Delgatti Neto (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
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Delgatti diz que Bolsonaro e marqueteiro queriam criar urna fake para colocar em dúvida as eleições · Ouvir artigo

247 - Em depoimento à CPMI dos Atos Golpistas nesta quinta-feira (17), o hacker Walter Delgatti Neto afirmou que o marqueteiro da última campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL), Duda Lima, queria que o hacker criasse um código 'fake' para uma urna eletrônica com o objetivo de enganar a população e desacreditar o processo eleitoral brasileiro. Posteriormente, Bolsonaro teria dado aval para o plano.

Segundo ele, o objetivo era fazer uma apresentação no 7 de setembro mostrando que seria possível inserir um voto na urna eletrônica e o equipamento contabilizar uma informação diferente. "O Duda inicialmente disse que o ideal seria eu fazer uma reunião com a esquerda e de forma espontânea falar das urnas, falar da fragilidade das urnas. Não ocorreu porque o meu encontro saiu na mídia e eles cancelaram isso. A segunda ideia era no dia 7 de setembro eles pegarem uma urna emprestada da OAB e que eu colocasse um aplicativo meu lá e mostrasse à população que é possível apertar um voto e sair outro. O código-fonte da urna, eu faria o meu, só mostrando, a população vendo que é possível apertar um voto e imprimir outro".

"O código-fonte é o código em si, aberto, tem diversos arquivos. E compilados eles viram apenas um, que é o que estava nas urnas. E quem tem acesso ao código-fonte antes de compila-lo consegue inserir linhas que façam com que seja apertado um voto e o resultado seja outro. Eles queriam que eu fizesse um código fonte meu, não o do TSE, e nesse código-fonte eu inserisse essas linhas, que chamam de código malicioso, porque ele tem como finalidade enganar, colocar dúvidas na eleição", explicou.
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3 de ago. de 2023

Os 30 anos do Mercosul qual o caminho a seguir

 30 anos do Mercosul: o que restou para comemorar?

A partir de 2000, com os governos progressistas em posições de comando no bloco, o Mercosul passa a ser social e participativo / Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Por Renato Martins, para a Revista Teoria e Debate em 26/03/21

Uma das experiências mais desafiadoras da integração regional consistiu no esforço de articulação entre governos e sociedade civil para ajustar o ritmo do Mercosul econômico e comercial à dinâmica do Mercosul social e participativo. Esse movimento tornou-se mais consistente a partir do ano 2000, quando os governos progressistas foram assumindo pouco a pouco posições de comando no bloco. As instituições sociais geradas naquele período foram criadas com o propósito de sintonizar a integração econômica à integração social. Nunca houve a intenção de opor uma forma de integração à outra.


Decorridos 30 anos da assinatura do Tratado de Assunção, o Mercosul encontra-se em franco declínio, com a fragmentação política colocando em risco os avanços conquistados nos planos econômico, comercial, social e cultural. Uma mostra disso são as atuais ameaças à união aduaneira imperfeita, condição que o bloco alcançou ao longo de três décadas de negociações e implica na adoção de uma tarifa externa comum (TEC), ainda que permeada por exceções, para ser aplicada nas relações comerciais com terceiros.

O fim da TEC representaria a volta do Mercosul a uma área de livre comércio, ideia que hoje, com exceção da Argentina, tem encontrado crescente respaldo entre os demais membros do bloco. Outra indicação é a forma como o acordo Mercosul-União Europeia vem sendo negociado. Há muito tempo esta iniciativa se assemelha a um tratado bilateral de livre comércio (TLC), sem nenhuma preocupação com o fortalecimento institucional do Mercosul. No formato atual, o acordo se reveste de um forte viés neocolonial. Assiná-lo agora, passando por cima das assimetrias entre os dois blocos, equivaleria ao Mercosul abrir mão do direito ao desenvolvimento econômico e abdicar de existir como um bloco soberano.

Ao fazer o balanço desse período é forçoso reconhecer que o Mercosul encontra-se à deriva, não tendo evoluído nos últimos anos nem na direção da integração econômica e comercial, nem da integração social e participativa. O que teria contribuído para isso? Nesse artigo vamos argumentar que, além de dificuldades conjunturais, a integração econômica e a democratização do bloco esbarraram em obstáculos maiores e mais antigos, a começar pela resistência de setores-chave em aceitar a ampliação e o aprofundamento da integração regional.

Vícios de origem 

O vício de origem do Mercosul foi sonhar com a livre circulação de capitais, bens e serviços e ignorar o direito à livre circulação das pessoas. Conforme revelam outras experiências regionais, a integração nesses moldes se torna desequilibrada, uma vez que tende a avançar do lado dos mercados e a regredir do lado dos direitos sociais. Na ausência de políticas complementares, a suspensão das barreiras comerciais acirra a guerra fiscal, debilitando a capacidade financeira dos Estados. Os subsídios e isenções fiscais oferecidas às grandes empresas nacionais e transnacionais drenam recursos que, em outra situação, poderiam ser orientados para a integração das pequenas e médias empresas, assim como para a educação, saúde e assistência social, prejudicando os setores mais vulneráveis da sociedade que dependem desses serviços públicos.

Esta matéria completa esta em: Instituto Lula


O governo Lula e os militares

 As “aproximações sucessivas” do Alto Comando do Exército no governo Lula. Por Jeferson Miola

Publicado por Jeferson Miola - Atualizado em 3 de agosto de 2023 às 10:59

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Presidente Lula e militares. (Foto: Reprodução)



Anos atrás, por ocasião de palestra proferida numa loja maçônica em Brasília [15/9/2017], o general Hamilton Mourão afirmou que “se tiver que haver, haverá” uma intervenção militar.

Importante destacar que a interpretação delirante do artigo 142 da Constituição, que em 15 de setembro de 2017, data da palestra de Mourão na maçonaria, já era uma gramática corrente nos meios castrenses, passou a ganhar evidenciação pública e a se organizar como uma força-movimento de extrema-direita no período imediatamente subsequente.

Àquela altura, o partido dos generais já avançava na materialização do seu projeto secreto de poder com Bolsonaro, cuja candidatura presidencial dele para 2018 fora lançada em 29 de novembro de 2014, quatro anos antes, na AMAN, a Academia Militar das Agulhas Negras.

O general Mourão, que na época ainda estava na ativa, era Secretário de Economia e Finanças do Exército e integrava o Alto Comando, disse: “Na minha visão, aí a minha visão que coincide com os meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da tábua de logaritmos, ‘aproximações sucessivas’”.  ameaçou: “ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso” – ou seja, um golpe militar.

Sintomaticamente, uma das mais decisivas e notórias “aproximações sucessivas” da estratégia golpista do Alto Comando do Exército [ACE] foi conhecida menos de sete meses depois, em 3 de abril de 2018, quando o general conspirador Villas Bôas publicou, em nome do Alto Comando, o famigerado tweet pressionando o STF a manter a prisão ilegal de Lula.

Após os reveses sofridos no último período – a derrota da chapa militar Bolsonaro/Braga Netto em 30 de outubro e o fracasso da intentona golpista de 8 de janeiro – as cúpulas partidarizadas das Forças Armadas apenas fizeram uma inflexão tática em busca de um reposicionamento político. Tentam recuperar a falsa imagem de profissionalismo e compromisso com a legalidade.

São inconfiáveis, contudo, as dissimulações de altos oficiais do Exército, dentre eles o general Tomás Paiva, que proclamam que o Exército é uma instituição “apolítica e apartidária”.

Não deixa de ser irônico o atual comandante da Força Terrestre declarar isso, pois em 2014 ele era o comandante da AMAN quando ocorreu um ato político-partidário inaceitável no Estado de Direito, que foi o lançamento da candidatura de Bolsonaro à presidência durante cerimônia de formatura de aspirantes a oficiais do Exército. Com a anuência dele, general Tomás Paiva.

O inquérito do Comando Militar do Planalto sobre os atos golpistas, só tornado público no último dia 26, acende uma luz de alerta que deveria ser tomada em séria preocupação pelo governo.

Trata-se de uma peça de ficção que falsifica a realidade, escamoteia o envolvimento dos militares na dinâmica golpista e, ainda, culpabiliza o governo Lula pelos ataques criminosos às instituições da República, inclusive o próprio Palácio do Planalto.

Mais grave que o inquérito farsesco, no entanto, foi o encaminhamento de ofício do general Tomás à CPMI dos atos golpistas reforçando tal versão forjada e mentirosa.

Um detalhe que não deixa de causar curiosidade: o ofício do comandante do Exército atendeu a requerimento do deputado ultradireitista André Fernandes-PL/CE, que é investigado pelo STF por apoiar e incentivar a horda fascista que saiu do QG do Exército para depredar o Supremo, o Congresso e o Planalto. Um jogo combinado?

É perigoso confiar que as cúpulas militares, que são partidarizadas e ultrapolitizadas, estejam de fato empenhadas em aceitar a subordinação ao poder civil e à democracia. O partido dos generais não abandonou o projeto próprio de poder militar e tampouco abdicou da delirante fantasia de se considerar um Poder Moderador.

Os militares continuam à espreita e atentos a cada nova janela de oportunidade que se abre para avançarem com suas aproximações sucessivas. No encontro maçônico de 2017, Mourão destacou que “nós temos planejamentos, muito bem feitos”. Na falha dos Poderes constituídos, “chegará a hora que nós teremos que impor uma solução”, ele disse.

O comando do Exército tem deixado sinais muito claros no ar, sem que haja reação das instituições e do poder político [governo e Congresso]. Além de não instaurar investigações sobre militares implicados em ilícitos e nos atentados à democracia, assegura impunidade e brinda delinquentes fardados com postos importantes.

O comparecimento do tenente coronel Mauro Cid fardado na CPMI dos atos golpistas escalou mais um degrau do teste de afronta militar ao poder político. Sem provocar repúdio do Congresso e desaprovação do ministro da Defesa.

As cúpulas militares são um fator extremamente crítico e ameaçador na realidade brasileira. A sobrevivência da democracia depende da capacidade que a sociedade civil, as instituições da República e o poder político tiverem de enfrentar em definitivo a questão militar no Brasil.

O governo precisa revisar urgentemente a continuidade da opção política do ministro José Múcio Monteiro, que não só é equivocada, como está favorecendo a reconfiguração da capacidade golpista do partido dos generais.

Não é só o governo Lula que continua sob ameaça fardada, mas a própria democracia.

1 de ago. de 2023

Construção naval, Petroleiros, melhora na economia no governo Lula dá força a Industria Naval

 Construção naval não dá conta e pedidos para petroleiros de produtos aumentam 337% na comparação ano a ano

Escrito por

Roberta Souza em Indústria Naval

29 de julho de 2023



Foto: reprodução Yahoo

Demanda por navios-tanque de petroleiros impulsiona crescimento no setor de construção naval em 2023

Após um período de baixa demanda e poucos pedidos de novos navios-tanque de produtos, o setor naval recebe uma injeção de otimismo com o aumento significativo nas encomendas de petroleiros nos primeiros seis meses de 2023. Segundo a BIMCO (Baltic and International Maritime Council), a quantidade de navios-tanque de produtos encomendados superou todo o volume registrado em 2022, com um expressivo crescimento de 337% em comparação ao ano anterior, de acordo com o site Portos e Navios.

Alta nas encomendas de petroleiros para a construção naval no primeiro semestre de 2023

A BIMCO, conceituada entidade do setor marítimo, revela que a demanda por navios-tanque de produtos disparou no primeiro semestre de 2023, totalizando um impressionante volume de 8,9 milhões de toneladas de porte bruto (dwt). Esse aumento vertiginoso nas encomendas se deve em grande parte ao cenário favorável das taxas de frete e ao crescimento na demanda por transporte de produtos.

Com o envelhecimento gradual da frota de navios-tanque de produtos de construção naval ao longo da última década, a média de idade das embarcações atualmente é de 13 anos. Diante dessa realidade, as encomendas de novos navios-tanque vêm se tornando uma necessidade urgente para a indústria naval, buscando modernizar e aumentar a capacidade de transporte dessas embarcações essenciais para o comércio de produtos ao redor do mundo.

Otimismo impulsionado por taxas de frete e demanda crescente

O setor de construção naval recebe um novo fôlego em 2023 com o aumento expressivo de encomendas de navios-tanque de produtos. A combinação de taxas de frete favoráveis e a crescente demanda por transporte marítimo tem impulsionado os armadores a investirem em novas embarcações para atender à necessidade do mercado de construção naval.

A confiança renovada no setor de construção naval se reflete nas perspectivas positivas da BIMCO, que projeta um cenário promissor para o restante do ano de 2023. O aquecimento da demanda global por produtos, somado à escassez de navios-tanque de produtos disponíveis, abre oportunidades para o crescimento das empresas que atuam no transporte marítimo e impulsiona a indústria naval.

O crescimento da construção naval

O setor naval experimenta uma retomada de crescimento com o aumento expressivo nas encomendas de navios-tanque de produtos em 2023. A alta nas taxas de frete e o crescimento da demanda por transporte marítimo têm impulsionado os armadores a investirem na modernização da frota e na construção de novas embarcações. 

A perspectiva positiva para o restante do ano no setor de construção naval indica um cenário promissor para a indústria naval e reafirma a importância estratégica dos navios-tanque de produtos no comércio global. A renovação da frota e o aumento da capacidade de transporte dessas embarcações são fatores essenciais para o desenvolvimento sustentável do setor e para atender às necessidades do mercado em constante expansão.