Trata-se de um dos piores resultados desde 1960. China fechou o ano com superávit comercial recorde, superando US$ 1 trilhão
20 de fevereiro de 2026

Guindastes no Porto de Los Angeles estão vazios de navios de carga, como mostrado por um drone em San Pedro, Califórnia, EUA, em 13 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Mike Blake)
247 - Os Estados Unidos encerraram 2025 com um déficit comercial de US$ 901,5 bilhões, um dos maiores já registrados desde 1960, mesmo após a adoção de uma ampla política tarifária pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em dezembro, o saldo negativo nas trocas de bens e serviços chegou a US$ 70,3 bilhões, acima do mês anterior, consolidando um ano marcado por forte instabilidade no comércio exterior.
Segundo os dados oficiais, o resultado anual ocorre em meio à estratégia protecionista implementada pela Casa Branca, que elevou tarifas sobre diversos parceiros comerciais, com destaque para a China.
Enquanto o déficit americano permaneceu elevado, a China, principal alvo da ofensiva comercial de Trump, encerrou o ano com superávit superior a US$ 1 trilhão, o maior já registrado por um país. Apesar da redução das exportações chinesas diretamente aos EUA, o país asiático ampliou vendas por meio de outros mercados, especialmente na Ásia, redirecionando fluxos comerciais.
Na avaliação de Oren Klachkin, economista de mercados financeiros da Nationwide, o impacto das tarifas não alterou substancialmente o cenário. “Depois de todas as manchetes sobre tarifas e das oscilações nos dados, o déficit comercial praticamente não se alterou em 2025”, afirmou, em nota. Ele acrescentou: “Com o impacto máximo das tarifas provavelmente já tendo ficado para trás, esperamos que o comércio entre em um ritmo mais previsível”.
Os números mensais mostraram forte volatilidade ao longo de 2025, refletindo a reação de importadores norte-americanos a sucessivos anúncios tarifários. Importações de ouro e produtos farmacêuticos apresentaram oscilações expressivas, diante da tentativa de empresas anteciparem compras antes da elevação de tributos.
O resultado de dezembro superou quase todas as projeções coletadas pela Bloomberg. O aumento de 3,6% nas importações foi impulsionado principalmente por acessórios de informática e veículos automotores. Já as exportações de bens e serviços recuaram 1,7%, influenciadas sobretudo pela redução dos embarques de ouro.
Antes da divulgação do relatório comercial, a estimativa GDPNow, do Federal Reserve Bank de Atlanta, indicava que as exportações líquidas acrescentariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, estimado em 3,6%. Após os novos dados, economistas passaram a revisar as projeções, apontando contribuição menor do comércio sobre o Produto Interno Bruto (PIB).
Ajustado pela inflação, o déficit de mercadorias subiu para US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior patamar desde julho. O comércio de ouro, exceto para fins industriais, não é considerado no cálculo do PIB pelo governo norte-americano.
Para Troy Durie, analista da Bloomberg Economics, o impacto sobre o crescimento pode ter sido limitado. “Com o relatório comercial de dezembro em mãos, podemos estimar que as exportações líquidas contribuíram pouco para o crescimento real do PIB no quarto trimestre. Em linha com outros dados recentes, as importações de bens de capital, lideradas por produtos relacionados à IA, continuaram a sinalizar um forte investimento doméstico no fim do ano”, afirmou.
A estratégia tarifária do presidente dos Estados Unidos busca reduzir a dependência de produtos estrangeiros, estimular investimentos internos e reverter a perda de empregos industriais. O governo também tem contestado estudos que apontam que consumidores americanos absorveram parte significativa do custo das tarifas.
Entre os pontos ainda em aberto está a decisão da Suprema Corte sobre a autoridade presidencial para impor tarifas amplas com base em legislação de emergência. O tribunal pode se manifestar nos próximos dias.
No recorte por países, o déficit com a China caiu para cerca de US$ 202 bilhões, o menor nível em mais de duas décadas. Por outro lado, os saldos negativos com México e Vietnã atingiram recordes, indicando redirecionamento de fluxos comerciais. O déficit com Taiwan também alcançou marca histórica, de US$ 146,8 bilhões, enquanto o saldo negativo com o Canadá recuou.
247 - Os Estados Unidos encerraram 2025 com um déficit comercial de US$ 901,5 bilhões, um dos maiores já registrados desde 1960, mesmo após a adoção de uma ampla política tarifária pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em dezembro, o saldo negativo nas trocas de bens e serviços chegou a US$ 70,3 bilhões, acima do mês anterior, consolidando um ano marcado por forte instabilidade no comércio exterior.
Segundo os dados oficiais, o resultado anual ocorre em meio à estratégia protecionista implementada pela Casa Branca, que elevou tarifas sobre diversos parceiros comerciais, com destaque para a China.
Enquanto o déficit americano permaneceu elevado, a China, principal alvo da ofensiva comercial de Trump, encerrou o ano com superávit superior a US$ 1 trilhão, o maior já registrado por um país. Apesar da redução das exportações chinesas diretamente aos EUA, o país asiático ampliou vendas por meio de outros mercados, especialmente na Ásia, redirecionando fluxos comerciais.
Na avaliação de Oren Klachkin, economista de mercados financeiros da Nationwide, o impacto das tarifas não alterou substancialmente o cenário. “Depois de todas as manchetes sobre tarifas e das oscilações nos dados, o déficit comercial praticamente não se alterou em 2025”, afirmou, em nota. Ele acrescentou: “Com o impacto máximo das tarifas provavelmente já tendo ficado para trás, esperamos que o comércio entre em um ritmo mais previsível”.
Os números mensais mostraram forte volatilidade ao longo de 2025, refletindo a reação de importadores norte-americanos a sucessivos anúncios tarifários. Importações de ouro e produtos farmacêuticos apresentaram oscilações expressivas, diante da tentativa de empresas anteciparem compras antes da elevação de tributos.
O resultado de dezembro superou quase todas as projeções coletadas pela Bloomberg. O aumento de 3,6% nas importações foi impulsionado principalmente por acessórios de informática e veículos automotores. Já as exportações de bens e serviços recuaram 1,7%, influenciadas sobretudo pela redução dos embarques de ouro.
Antes da divulgação do relatório comercial, a estimativa GDPNow, do Federal Reserve Bank de Atlanta, indicava que as exportações líquidas acrescentariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, estimado em 3,6%. Após os novos dados, economistas passaram a revisar as projeções, apontando contribuição menor do comércio sobre o Produto Interno Bruto (PIB).
Ajustado pela inflação, o déficit de mercadorias subiu para US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior patamar desde julho. O comércio de ouro, exceto para fins industriais, não é considerado no cálculo do PIB pelo governo norte-americano.
Para Troy Durie, analista da Bloomberg Economics, o impacto sobre o crescimento pode ter sido limitado. “Com o relatório comercial de dezembro em mãos, podemos estimar que as exportações líquidas contribuíram pouco para o crescimento real do PIB no quarto trimestre. Em linha com outros dados recentes, as importações de bens de capital, lideradas por produtos relacionados à IA, continuaram a sinalizar um forte investimento doméstico no fim do ano”, afirmou.
A estratégia tarifária do presidente dos Estados Unidos busca reduzir a dependência de produtos estrangeiros, estimular investimentos internos e reverter a perda de empregos industriais. O governo também tem contestado estudos que apontam que consumidores americanos absorveram parte significativa do custo das tarifas.
Entre os pontos ainda em aberto está a decisão da Suprema Corte sobre a autoridade presidencial para impor tarifas amplas com base em legislação de emergência. O tribunal pode se manifestar nos próximos dias.
No recorte por países, o déficit com a China caiu para cerca de US$ 202 bilhões, o menor nível em mais de duas décadas. Por outro lado, os saldos negativos com México e Vietnã atingiram recordes, indicando redirecionamento de fluxos comerciais. O déficit com Taiwan também alcançou marca histórica, de US$ 146,8 bilhões, enquanto o saldo negativo com o Canadá recuou.
Publicado no Brasil247

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