19 de abr. de 2026

O jornalista Luis Nassif analisa Caso Banco Master e a delação do Vorcaro

Começou a delação de Vorcaro, por Luís Nassif
Resta saber como se desenrolará a delação: em operações fundamentadas ou através de vazamentos com fins políticos?

Por Luis Nassif
17/04/26 • 07:16

                                             Daniel Vorcaro - Reprodução



A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) comprova que a delação de Daniel Vorcaro está a pleno vapor.


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O esquema funciona assim:

1. A perícia da Polícia Federal analisa o conteúdo dos celulares.

2. Identificando alguma fala suspeita, a PF vai a Vorcaro para que apresente o roteiro da propina.

3. Com as provas coletadas, procede-se à prisão dos suspeitos.

No caso de Paulo Henrique Costa, a perícia identificou mensagens de WhatsApp que mostravam “intimidade e proximidade” entre Vorcaro e ele. Em uma dessas conversas, Costa chega a sugerir que seria “legal” a sua esposa conhecer, antes, um apartamento em São Paulo, sugerindo que o imóvel seria entregue posteriormente, como benefício. O que fortaleceria a hipótese de que recebeu até R$ 140 milhões em imóveis, em troca de favorecimento ao Master.

No início dos vazamentos da operação, a jornalista Malu Gaspar acusou frontalmente o diretor de fiscalização do BC de ter induzido o Conselho do BRB a adquirir o Master. Até hoje não retificou a acusação.

Além dos textos, o padrão de comunicação entre os dois, combinado com planilhas e registros de valores em outros aparelhos, reforça o foco da PF em comprovar que o “acesso do Master ao BRB foi condicionado a vantagens indevidas” para o então presidente do banco.

Resta saber como se desenrolará a delação. Sabe-se que a supina falta de esperteza da articulação política do governo permitiu que tanto a CPI do INSS quando a do Master caísse nas mãos suspeitas do Ministro André Mendonça.

Ainda no início da operação, a corrente lavajatista da PF e da mídia conseguiu emplacar a narrativa de que o Master era um escândalo do governo Lula. Agora, com um oceano de diálogos e registros à mão, Mendonça e os delegados da PF poderão definir o roteiro com muito mais poder. Ou através de operações fundamentadas – como a que prendeu Paulo Henrique Costa – ou através de vazamentos com fins políticos, como ocorreu no início do processo.

Há grande possibilidade que as próximas semanas reservem surpresas impactantes no caso Master.

Publicado no site GGN do jornalista Luis Nassif

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