6 de mar. de 2026

Guerra no Irã pode ser o “gatilho” para o colapso do sistema petrodólar por Jose Kobori no GGN

O alerta de José Kobori
"Nenhum império cai sem atirar", afirmou, descrevendo a estratégia americana como uma tentativa de proteger a moeda

Por Cintia Alves
05/03/26 

Em uma análise sobre as tensões no Oriente Médio, o financista, escritor e professor José Kobori alertou que o atual conflito envolvendo Estados Unidos-Israel e Irã representa uma ameaça ao sistema petrodólar, a base do poder econômico global dos Estados Unidos desde a década de 1970. Para Kobori, a escalada militar não é apenas uma questão geopolítica, mas um possível “gatilho” econômico que pode desmoronar a estrutura que sustenta o dólar como moeda de reserva mundial.


Seguir no Google


Segundo Kobori, o sistema petrodólar — estabelecido em 1974 através de um acordo com a Arábia Saudita para substituir o padrão-ouro — garante que o petróleo seja comercializado exclusivamente em dólares. O ponto crítico atual é a “reciclagem” desse capital: as monarquias do Golfo reinvestem os lucros do petróleo no mercado de ações americano, financiando setores como a inteligência artificial. “Se essa fonte de reciclagem parar de migrar para o mercado de ações dos Estados Unidos, isso pode ser o gatilho para que essa pirâmide da inteligência artificial comece a desmoronar”, explicou o especialista, destacando que até o financiamento da dívida pública americana estaria em risco.

“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo dependem exclusivamente do petróleo e sustentam, sob a liderança da Arábia Saudita, o sistema do petrodólar. Todo o dinheiro que as monarquias do Golfo conseguem com o sistema petrodólar é reciclado no mercado de ações americano. É o dinheiro que, inclusive, está sendo usado para inflar o esquema Ponzi da Inteligência Artificial”, explicou Kobori.

Na visão do analista, os Estados Unidos entraram em uma guerra que não faz sentido considerando os interesses do país, e o presidente Donald Trump já está dando sinais de que busca uma “saída honrosa” para se retirar do conflito. “Para Israel, sim, tem sentido, porque eles buscam dominar do Egito até o Líbano e ter hegemonia no Oriente Médio, e a única pedra no caminho é o Irã.”

Um dos desdobramentos do ataque ao Irã, o bloqueio do Estreito de Ormuz provoca um gargalo logístico vital, mas Kobori apontou que este pode ser apenas o início de um problema ainda maior, a depender de como for tratado pelos EUA. “A preocupação com o Estreito de Ormuz é válida porque é por onde escoa toda a produção de petróleo do Golpe Pérsico. Os EUA têm capacidade naval de desbloquear. Mas se o Irã ficar sem essa alternativa de bloqueio para sua sobrevivência, o próximo passo seria atacar os centros de processamento e distribuição de petróleo. Um problema que seria mais difícil de reverter.”

Para Kobori, os Estados Unidos estão utilizando sua última arma incontestável — o poder militar — para tentar adiar o declínio de sua hegemonia monetária. “Nenhum império cai sem atirar”, afirmou, descrevendo a estratégia americana como uma tentativa de proteger a moeda através da força bruta, enquanto o mundo caminha para o multilateralismo liderado por potências como a China.

Kobori também questionou a capacidade dos Estados Unidos de manter uma guerra de longo prazo no Irã. Citando fontes do Pentágono, ele mencionou que o país teria dificuldades em sustentar a logística militar por mais de quatro semanas, enfrentando uma guerra assimétrica que tende a fortalecer o nacionalismo iraniano em vez de promover uma troca de regime.

Publicação no Jornal GGN do jornalista Luis Nassif



Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Nenhum comentário: